Carlos Arnaud
Amo-te mui além do verbo e da razão,
No templo vil onde o sentir se esconde;
Mas teu olhar, que a dúvida responde,
Não vê meu lume, nem a minha oração.
Fiz do silêncio toda minha confissão,
E do desejo, vasto rio que não sonde;
Tu és o céu que meu querer não ronde,
Flor que não ouve a voz do coração.
Em cada gesto teu, meu mundo me cala,
E a alma, em febre, implora teu abrigo,
Mas tu segues sem ver a quem te exala.
Sou sombra em luz, sou verso sem amigo,
Amor que vive, embora não se iguala
Ao sonho teu, que me passa sem perigo.
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