Carlos Arnaud
Partiste como a luz que do céu desmaia,
Sem rastro, sem rumor, sem despedida.
Ficou no chão a sombra que se espraia,
Do vulto teu, que foi minha guarida.
Teus olhos, que eram lâmpadas de alfaia,
Apagaram-se na triste névoa da partida.
O tempo - esse escultor que tudo ensaia,
Talhou em mim tua ausência mais doída.
Não clamo aos deuses, nem ao firmamento;
Aceito o fim com amargo discernimento,
Como convém ao verso e à prosa sem paixão.
Angelina, se algum lugar tua alma habita,
Que veja este soneto - e então permita,
Deixar-me viver aqui, nesta doce ilusão.
2 comentários :
Bom dia, amigo Arnaud.
Lamento com minhas condolências a partida da sua amada Angelina, seja ela real ou imaginária.(?)
Tenho um amigo aqui em Fortaleza, com quem partilho os seus poemas, que também é fã da Angelina.
Olá, Estênio. Angelina é, na verdade, meu amor sem corpo, minha abstração de poeta.
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