Carlos Arnaud
No ocaso lento que a chama se declina,
E o velho corpo repousa em suma pausa;
Na fronte envelhecida a idade se inclina,
E ergue-se a sombra fria da andropausa.
O tempo, esmero artífice da lei divina,
Talha em silêncio o falo que se escusa;
E a vida, em ciclos, sábia e cristalina,
Revela o fim da antes juventude profusa.
Mas resta ao espírito altivo a grandeza,
Que não se curva à carne já cansada,
E busca em versos sua interior beleza.
Assim, na arte, em que a dor é sublimada,
O homem vence o seu tempo com firmeza,
Na alma rica, sincera, madura e lapidada.
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