Otacílio de Azevedo
Noite. Plange, convulsa, a harpa do vento. A terra
Dorme. O espaço lá fora é tempestuoso e escuro.
Nem sequer uma estrela as pálpebras descerra,
Se as pálpebras descerro e uma estrela procuro...
É nesta hora de amor que de joelhos murmuro
Doce nome de alguém que entre saudades erra...
Surge, irradiando ao sol de seu sorriso puro,
Todo o seu vulto ideal que a minha vida encerra.
Abraço-lhe os braços!... Vem... E o seu cabelo louro
Deixe ver através de uma neblina de ouro
Todo o seu corpo em flor que de almo luar se neva...
Mas se tento oscular-lhe o alvo colo macio,
Súbito, foge... E eu sinto, abandonado e frio,
O meu beijo rolar na solidão da treva...
Quem sou eu
- Carlos Arnaud de Carvalho
- São Domingos do Prata, Minas Gerais
- E nestas lutas vou cumprindo a sorte, até que venha a compassiva morte, levar-me à grande paz da sepultura.
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