Luís Guimarães Júnior
Como um fugaz suspiro, um som que passa,
E a flor pendida antes do fim do dia,
Assim morreste, ó pálida erradia,
Ó favorita pomba da Desgraça!
Rápida embora, passageira e escassa,
Foi-te a existência toda uma agonia,
E tua boca trêmula sorria
Bebendo a morte na funérea taça.
Abandonada, pobre, humilde, obscura,
Desceste à negra e torva sepultura,
Tu, a formosa deusa entre as formosas:
Ah! que eu não tenha versos como flores
Para a campa te encher de aromas, cores,
Goivos, saudades, lágrimas e rosas!
Quem sou eu
- Carlos Arnaud de Carvalho
- São Domingos do Prata, Minas Gerais
- E nestas lutas vou cumprindo a sorte, até que venha a compassiva morte, levar-me à grande paz da sepultura.
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Alphonsus de Guimaraens
Hirta e branca... Repousa a sua áurea cabeça
Numa almofada de cetim bordada em lírios.
Ei-la morta afinal como quem adormeça
Aqui para sofrer Além novos martírios.
De mãos postas, num sonho ausente, a sombra espessa
Do seu corpo escurece a luz dos quatro círios:
Ela faz-me pensar numa ancestral Condessa
Da Idade Média, morta em sagrados delírios.
Os poentes sepulcrais do extremo desengano
Vão enchendo de luto as paredes vazias,
E velam para sempre o seu olhar humano.
Expira, ao longe, o vento, e o luar, longinquamente,
Alveja, embalsamando as brancas agonias
Na sonolenta paz desta Câmara-ardente...
Olavo Bilac
Leio-te: - o pranto dos meus olhos rola:
- Do seu cabelo o delicado cheiro,
Da sua voz o timbre prazenteiro,
Tudo do livro sinto que se evola ...
Todo o nosso romance: - a doce esmola
Do seu primeiro olhar, o seu primeiro
Sorriso, - neste poema verdadeiro,
Tudo ao meu triste olhar se desenrola.
Sinto animar-se todo o meu passado:
E quanto mais as páginas folheio,
Mais vejo em tudo aquele vulto amado.
Ouço junto de mim bater-lhe o seio,
E cuido vê-la, plácida, a meu lado,
Lendo comigo a página que leio.
Nicolau Tolentino
Coração, de que gemes, de que choras?
Que parece tens ódio à própria vida!
Se perdeste teu bem, foi mão perdida,
Com te pôr a morrer nada melhoras.
Eu bem sei que a beleza a quem adoras,
Foi-te ingrata, e cruel, foi fementida;
Mas que esperavas tu, se é lei sabida
O mudar-se a Mulher todas as horas.
Sossega, Coração, deixa a tristeza;
Quem te mandou querer com fé tão pura,
Quem te mandou mostrar tanta firmeza!
Erraste, tem paciência, em fim procura
Não fazer por Mulher jamais fineza,
Acharás mais amor, maior ventura.