Carlos Arnaud
Quando a Morte desce em manto frio,
Velando os sóis na cinza da passagem,
Surge o lótus, em celestial ramagem,
Vertendo bela luz sobre o fatal vazio.
Não teme a sombra, nem o desvario;
Faz da treva um altar de aprendizagem,
E abre ao infinito toda sua leve imagem
Erguendo-se do lodo mais sombrio.
Flor da Vida, em teu cálice profundo,
Dorme o segredo que sustenta o mundo
Entre o silêncio e a música dos astros.
Se a morte apaga os vultos peregrinos,
Tu mostras, sobre os derradeiros rastros,
A aurora oculta dos eternos destinos.
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