Carlos Arnaud
No templo azul da eterna arquitetura,
Dois corações, por fado entrelaçados,
Revivem sonhos, afetos já passados,
Num elo além da carne e da ternura.
O olhar se encontra na noite escura:
Silente pacto, em astros consagrados,
Sem voz, sem nome, mas já revelados
Na sua íntima e sublime formosura.
Dois vultos vão, pela orla do infinito,
Erguendo o amor num cárcere bendito,
Discutindo seu destino além da esfera.
Almas gêmeas, por céus legitimadas,
São chamas que renascem, lapidadas,
No senso que a paixão jamais espera.