Miguel Russowscky
Um por um, os meus sonhos, nesta vida,
despi no andar do tempo modorrento,
qual árvore esfolhada pelo vento
numa tarde outonal, entristecida.
Quebrei-me um pouco, assim, a cada ida,
à procura não sei de qual intento.
Deixei amor, amigos e, ao relento
destroços de minha alma enrijecida.
E hoje, velho, ao voltar da caminhada,
tropeço em meus pedaços pela estrada,
com saudosa visão aqui e ali.
Não mais me iludo, e essa descrença atesta
que passarei o tempo que me resta,
recolhendo os pedaços que perdi.
Quem sou eu
- Carlos Arnaud de Carvalho
- São Domingos do Prata, Minas Gerais
- E nestas lutas vou cumprindo a sorte, até que venha a compassiva morte, levar-me à grande paz da sepultura.
Arquivos do Blog
Alguns Poetas
- Aécio Cavalcante
- Alberto de Oliveira
- Alphonsus de Guimaraens
- Alvaro Feijó
- Antero de Quental
- Artur Azevedo
- Augusto de Lima
- Augusto dos Anjos
- Auta de Souza
- Belmiro Braga
- Bento Ernesto Júnior
- Corrégio de Castro
- Cruz e Souza
- Cynthia Castello Branco
- Edgard Rezende
- Euclides da Cunha
- Fagundes Varela
- Fausto Cardoso
- Florbela Espanca
- Gregório de Matos
- Guilherme de Almeida
- J. G. de Araujo Jorge
- Júlio Salusse
- Luis Vaz de Camões
- Machado de Assis
- Manuel Bandeira
- Mauro Mota
- Narciso Araujo
- Nilo Aparecida Pinto
- Olavo Bilac
- Paulo Gustavo
- Paulo Mendes Campos
- Pe. Antônio Tomás
- Pe. Manuel Albuquerque
- Raimundo Correia
- Raul de Leoni
- Raul Machado
- Silva Ramos
- Vicente de Carvalho
- Vinícius de Moraes
Top 10 da Semana
-
Alceu Walmosy Assim te quero amar; quero adorar-te assim, sempre de joelhos, sempre, ó mármore sagrado; e que teu corpo ideal não seja, para...
-
Carlos Arnaud Na branca neve da montanha agreste, Ergue o vulto da mais rígida negação; O Grinch contempla a festa, que veste De luz e canto...
-
Auta de Souza Na gaze loura deste leque adeja Não sei que aroma místico e encantado… Doce morena! Abençoado seja O doce aroma de teu leque a...
-
Mauro Mota Passos incertos sobre as lajes frias, sigo em busca de ti, sigo à procura do tumulto da vida de outros dias, que foi contigo p...
-
Alceu Wamosy Pulcras liriais, bizarramente claras, Carnes divinas, virginais e puras, Na ostentação de correções preclaras E de preclaras po...
-
Antero de Quental Quando nós vamos ambos, de mãos dadas, Colher nos vales lírios e boninas, E galgamos dum fôlego as colinas Dos rocios da n...
-
Alphonsus de Guimaraens Aberta a pobre mão como a pedir a morte, Olhos que vinham de mais longe que os poentes, Ela surgiu-me branca e pura ...
-
Carlos Arnaud Na sombra que envolve a terra calma, Um cântico etéreo em véus se acende, E a estrela brilha, despertando a alma, Que à paz di...
-
Carlos Arnaud Sonhar contigo é ter o tempo dos anos, É ver o mundo inteiro no teu sorriso; É caminhar por céus tão sobre-humanos E repousar ...
-
Carlos Arnaud Partiste como a luz que do céu desmaia, Sem rastro, sem rumor, sem despedida. Ficou no chão a sombra que se espraia, Do vulto ...
Martins Fonte
Antes de conhecer-te, eu já te amava,
porque sempre te amei a vida inteira.
Eras a irmã, a noiva, a companheira,
a alma gêmea da minha que eu sonhava.
Com o coração, à noite, ardendo em lava
em meus versos vivias, de maneira
que te contemplo a imagem verdadeira
e acho a mesma que outrora contemplava.
Amo-te. Sabes que me tens cativo.
Retribuis a afeição que em mim fulgura,
transfigurada nos anseios da Arte.
Mas, se te quero assim, por que motivo
tardaste tanto em vir, que hoje é loucura -
mais que loucura: um crime - desejar-te?
Gerson Silvestre Alencar
Chega setembro: a primavera se anuncia.
Ao longe vejo, solitário na campina,
O mesmo ipê que todo ano se ilumina
Tão amarelo e ofuscante à luz do dia.
Mal se reveste e já se despe a ramaria.
É quando o vento implacável em ferina
Arremetida vem e a flora elimina.
E me entristece que se acabe... Mal surgia.
Enquanto vejo o que restou da floração,
Sinto que o ipê põe-se a falar-me ao coração
(Onde, faz tempo, não florescem alegrias).
E, zombeteiro, diz: “Iguala-nos a Sorte;
Em ti também ao Riso segue um Vento Norte,
Tal como ocorre às minhas flores fugidias”.
Joaquim Marques
Se de mim não sentes saudade,
Se dentro de ti, por mim, não tens réstea de amor;
Então não finjas... te peço, por favor;
Não queiras transformar o irreal... em realidade...
Fostes sempre a menina dos meus olhos,
E dos três que amei, a quem eu dei vida,
Talvez, por seres filha, eras a mais querida.
Eras aquela flor... que suavisava meus abrolhos...
Depois de tanto bem eu te ter feito,
E sem que para tal haja uma explicação...
Tu respondes com frieza, silêncio e sem pleito!?...
Em meus pensamentos indeléveis, concluo então:
Que triste é um pai fazer bem a um filho, que a respeito,
Somente tem para lhe dar... a sua ingratidão!...