Nilo Aparecida Pinto
Ai da mulher que nunca foi beijada!
Ai daquela que amou, mas infeliz,
não pôde ter, humilde e desprezada,
a existência gloriosa que ela quis!
Ai daquela também que sendo amada
desprezou seus impulsos feminis,
e que sozinha, ao termo da jornada,
ante o próprio destino se maldiz!
Elas são como as árvores doridas
que, exilando-se estéreis e esquecidas
na tristeza dos bosques incolores,
vivem à sombra dos ramais hirsutos,
intimidadas por não terem flores,
e envergonhadas por não darem frutos.
Quem sou eu
- Carlos Arnaud de Carvalho
- São Domingos do Prata, Minas Gerais
- E nestas lutas vou cumprindo a sorte, até que venha a compassiva morte, levar-me à grande paz da sepultura.
Arquivos do Blog
Alguns Poetas
- Aécio Cavalcante
- Alberto de Oliveira
- Alphonsus de Guimaraens
- Alvaro Feijó
- Antero de Quental
- Artur Azevedo
- Augusto de Lima
- Augusto dos Anjos
- Auta de Souza
- Belmiro Braga
- Bento Ernesto Júnior
- Corrégio de Castro
- Cruz e Souza
- Cynthia Castello Branco
- Edgard Rezende
- Euclides da Cunha
- Fagundes Varela
- Fausto Cardoso
- Florbela Espanca
- Gregório de Matos
- Guilherme de Almeida
- J. G. de Araujo Jorge
- Júlio Salusse
- Luis Vaz de Camões
- Machado de Assis
- Manuel Bandeira
- Mauro Mota
- Narciso Araujo
- Nilo Aparecida Pinto
- Olavo Bilac
- Paulo Gustavo
- Paulo Mendes Campos
- Pe. Antônio Tomás
- Pe. Manuel Albuquerque
- Raimundo Correia
- Raul de Leoni
- Raul Machado
- Silva Ramos
- Vicente de Carvalho
- Vinícius de Moraes
Top 10 da Semana
-
Manuel Bandeira Chora de manso e no íntimo... Procura curtir sem queixa o mal que te crucia: o mundo é sem piedade e até riria da tua i...
-
Guilherme de Almeida Essa que eu hei de amar perdidamente um dia, será tão loura, e clara, e vagarosa, e bela, que eu pensarei que é o s...
-
Machado de Assis Querida, ao pé do leito derradeiro Em que descansas dessa longa vida, Aqui venho e virei, pobre querida, Trazer-te o c...
-
J. G. de Araujo Jorge Eu queria te dar minha emoção mais pura, associar-te ao meu sonho e dividir contigo migalha por migalha, o pouco d...
-
Vieira da Silva Era uma vez uma cigana. Um dia Laura pediu-lhe que lhe lesse a sina E ela, a cigana, de contente, ria Ante a mãozinha d...
-
Jehová de Carvalho Amo-te mais que a noite em que concebes — enquanto sonho — o fruto que sonhei; Mais que meus pés os passos que eu já ...
-
Luís Guimarães Júnior Eu vejo-a sempre no final do dia, Quando os purpúreos flocos do ocidente Vão descorando harmoniosamente, Aos gem...
-
Vinícius de Moraes Amo-te tanto, meu amor... não cante O humano coração com mais verdade... Amo-te como amigo e como amante Numa sempre...
-
Amélia de Oliveira Não te peço a ventura desejada, Nem os sonhos que outrora tu me deste, Nem a santa alegria que puseste Nessa doce esperan...
-
Florbela Espanca Longe de ti são ermos os caminhos, Longe de ti não há luar nem rosas, Longe de ti há noites silenciosas, Há dias sem c...
Euclides da Cunha
No momento cruel da despedida
Gelado o lábio, mudo, hirto, sem ar,
Eu vi sua alma, de ilusões despida,
Tremer à luz de seu tão triste olhar.
E eu não chorei...Seu peito - a alva guarida
De minha alma - chorava em doudo arfar...
E eu não chorei, mas eu senti a vida
Das lágrimas ao peso se curvar!...
Saí, andei, corri, parei cansado.
Voltei-me e longe, longe eu vi asinha
- Garça de amor fugindo para o passado
Branca, pura, ideal, - sua casinha -
E as lágrimas de amor deixei - domado -
Constelaram de dor a noite minha!
Júlio Salusse
Jurei que nunca mais teria em pensamento
essa mulher fatal e bela, cuja vinda
minha alma sepultou, em rápido momento,
numa tristeza atroz, numa agonia infinda.
Nunca pude cumprir esse juramento,
pois por amá-la muito, imensamente ainda,
continuo a sorver como um louco, sedento,
os beijos sensuais de sua boca linda.
Hoje sinto por ela a mesma idolatria,
a mesma adoração que nos primeiros meses
do nosso grande amor eu por ela sentia.
Isto me faz pensar nesta cruel sentença:
se pensa o coração algumas vezes,
quando convém pensar, o coração não pensa.
Gregório de Matos
Discreta e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo a qualquer hora
Em tuas faces a rosada Aurora,
Em teus olhos, e boca o Sol, e o dia:
Enquanto com gentil descortesia
O ar, que fresco Adônis te namora,
Te espalha a rica trança voadora,
Quando vem passear-te pela fria:
Goza, goza da flor da mocidade,
Que o tempo trota a toda ligeireza,
E imprime em toda a flor sua pisada.
Oh não aguardes, que a madura idade
Te converta essa flor, essa beleza
Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.
Raul de Leoni
Quando fores sentindo que o fulgor
Do teu Ser se corrompe e a adolescência
Do teu gênio desmaia e perde a cor,
Entre penumbras em deliqüescência,
Faze a tua sagrada penitência,
Fecha-te num silêncio superior,
Mas não mostres a tua decadência
Ao mundo que assistiu teu esplendor!
Foge de tudo para o teu nadir!
Poupa ao prazer dos homens o teu drama!
Que é mesmo triste para os olhos ver
E assistir, sobre o mesmo panorama,
A alegoria matinal subir
E a ronda dos crepúsculos descer...