Carlos Arnaud
Quando o amor se desfaz em cinza fria,
E o peito se consome em desventura,
Eis o Ombro que ampara a alma insegura,
E dá ao pranto uma calma que irradia.
É conforto contra a fúria que se guia,
É muro erguido à dor que se procura;
Na curva firme, a mágoa se depura,
Onde o coração renasce em harmonia.
Não pede glória, ele é dádiva silente,
É chama oculta a iluminar o exílio,
Com o bálsamo que alivia o penitente.
E o ser que sofre amor em seu martírio,
Um Ombro se ergue, sendo benevolente,
E faz da dor um cântico bom de auxílio.