Carlos Arnaud
Na marquise fria da urbe indiferente,
Jaz o mendigo em sombra desvalida;
Seu corpo exíguo, pálido e decadente,
É como alguém no fim da própria vida.
A calçada dura serve-lhe como leito,
E o vento açoita a carne já vencida;
No olhar sem brilho, resta o pleito
De um sopro breve, na última medida.
Faz da cachaça o pão que substancia,
E nas drogas busca seu alívio mental,
Tendo como amigo apenas o seu animal.
E quando a aurora em véus se anuncia,
Que Deus lhe dê vida, sem que a tome,
Do ser moribundo, sem rosto, sem nome.