Carlos Arnaud
Na rua se arrasta um cortejo grotesco,
Corpos que suam, em dança de euforia;
É festa vendida em tom carnavalesco,
Com o preço imposto na falsa alegria.
O povo se perde no batuque barulhento,
E jura que baila numa transe divinal;
Mas tudo não passa de um tosco invento,
Um circo mambembe, um teatro bacanal.
Prefiro o mistério da noite calada,
O véu das estrelas, o sonho profundo,
À orgia profana, à folia incendiada,
Que prende o olhar num delírio imundo.
Odeio o carnaval, uma festa mascarada,
Que oculta o vazio ao riso do mundo.
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