Carlos Arnaud
Encosta-te em mim, serena e radiante,
Que o mundo é áspero, o tempo tirano;
No meu abraço encontrarás um soberano
Refúgio eterno, firme e deslumbrante.
Teu passo incerto torna-se elegante,
Se meu amparo guia teu maior engano;
E cada dor se apaga em tom leviano,
Quando repousas lânguida, confiante.
Assim, na vida, o fardo se dissolve,
E a sombra cede à luz que nos envolve,
Se em meu peito encontras-te, enfim.
E na eterna paz, que o coração reclama,
Surge em silêncio, como ardente chama,
Quando, em ternura, encostas-te em mim.