Carlos Arnaud
Na sombra em que teu olhar me prende,
Arde em silêncio o fogo que me guia;
E cada instante, em febre que se estende,
É promessa de amor que não se esfria.
Se a tua boca roça o ar, tão perto,
Meu coração se entrega ao convívio;
E o gesto, em chama, torna-se liberto,
Na ânsia de encontrar o teu alívio.
É chama viva, ardente, sem medida,
Que insiste em florescer na minha pele,
E pede o sopro teu, razão da vida.
Assim te espero, amor que me compele,
Pois na entrega total, jamais vencida,
Não haverá rigor de lei que nos cancele.
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