Mauro Mota
Desesperada solidão. Sozinho
fico na erma planície desta cama.
De um corpo ausente a sombra se derrama
nas alvas dobras do lençol de linho.
No teu canto deserto eu te adivinho.
Tua lembrança aviva mais a chama,
e o solitário amante a amada chama.
Bem mansamente, bem devagarinho,
pela amplidão do céu vens vindo leve,
bem leve e fluida. Do distante espaço
partem cantos de amor. Chegas, e, em breve,
deitas no branco leito, e até parece
que és a réstia da lua, este pedaço
de luar que pela claraboia desce.
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