Carlos Arnaud
No fio tênue de uma manhã dourada,
A vida surge, esplêndida e ligeira,
Qual flor que nasce, bela e perfumada,
Mas logo tomba à brisa passageira.
No mármore insculpido, a obra inteira
Resiste firme, eterna - e mal suspira;
Mas vem o tempo, com a mão sorrateira,
E apaga o vulto que a arte inspira.
No ocaso, morre a luz mais protetora,
E, ao som dos passos vãos do caminheiro,
Desfaz-se o tempo em névoa sedutora.
Do sonho, resta o pó no travesseiro,
E a glória, outrora altiva e mentora,
Jaz muda ao pé do lenho derradeiro.
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