Carlos Arnaud
Na abóbada de ébano, tão serena,
Reside um canto oculto, harmonioso;
Do alto desce um sopro mavioso,
De um coro de cristal, voz amena.
Silêncio em luz: a órbita pequena
De cada astro retine um som formoso,
Como harpas num concerto primoroso,
Tecendo o céu em música terrena.
São lábios do infinito que sussurram,
Mistérios de eras vastas que murmuram
No idioma sutil do vivo firmamento.
E a alma, ao escutar tão doce enlevo,
Sente-se grão de pó, embora longevo,
Que vê nas luzes vãs um pensamento.
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