Carlos Arnaud
No véu sutil da aurora que se esvai,
Paira o perfume brando da lembrança.
E o coração, que em sombras sobressai,
Busca no nada rara luz de esperança.
Teu vulto é bruma, é sopro que atrai,
É flor que cresce ao toque da bonança;
E em cada instante, o tempo me trai,
Na dança breve da evanescência mansa.
O Amor, fulgura e some, como o vento,
Que beija o ar a correr num lamento,
Deixando apenas uns rastros de poesia.
E eu, prisioneiro da tua fugaz beleza,
Exalto em versos toda tua delicadeza,
Que vive ou morre na minha heresia.
1 comentários :
Sou fã dos seus sonetos e todos os sábados os divido com diversas pessoas. Resido em Fortaleza,CE.
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