Os Mais Belos Sonetos

Coletânea de sonetos escritos por poetas brasileiros, lusos e de outros paises

Carlos Arnaud

Na rigidez da forma, a dor se encerra,
E o verso se lapida em som preciso;
O mármore do túmulo guarda o aviso
Da vida breve, extinta sobre a terra.

Em Leopoldina, a bruma se desterra,
E a morte cumpre o seu fatal inciso;
A pneumonia impôs-lhe cruel juízo,
E o poeta sucumbiu na fria serra.

Mas resta a obra, firme e refinada,
Resta o tempo, a carne corrompida,
Que ergue-se altiva, clara, imaculada.

Assim, na arte, a dor é convertida:
Augusto, em verso, torna-se alvorada,
E a morte curva-se ante a sua vida. 

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