Carlos Arnaud
Na rigidez da forma, a dor se encerra,
E o verso se lapida em som preciso;
O mármore do túmulo guarda o aviso
Da vida breve, extinta sobre a terra.
Em Leopoldina, a bruma se desterra,
E a morte cumpre o seu fatal inciso;
A pneumonia impôs-lhe cruel juízo,
E o poeta sucumbiu na fria serra.
Mas resta a obra, firme e refinada,
Resta o tempo, a carne corrompida,
Que ergue-se altiva, clara, imaculada.
Assim, na arte, a dor é convertida:
Augusto, em verso, torna-se alvorada,
E a morte curva-se ante a sua vida.
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