Carlos Arnaud
No pomar onde o vago tempo demora,
Resplende alva flor, perfume em festa;
Seu alento de setembro jamais evapora,
Na brisa que do campo a alma infesta.
Vestida de candor, tão pura, tão bela,
Desperta o sol com seu fulgor discreto;
O orvalho, em silêncio, a beija e zela,
Como amante em um rito mais secreto.
Não canta o verso em vão sua doçura,
Pois nela há mais que aroma: há magia,
Que em árvore escreve-se com ternura.
Flor que não se consome em fantasia,
Mas vive, a cada instante, na estrutura
Do mundo que se curva à sua heresia.
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