Luís Edmundo
Há uma lágrima sempre atenta em nossos olhos;
Branca, redonda, clara, adamantina, pura,
E assim como no mar os traiçoeiros escolhos,
Ela, escondida, a flor das pálpebras procura,
E, aí fica parada. Os íntimos refolhos
De nossa alma reflete, e quando uma ventura
Em riso nos entreabre os lábios com doçura,
Ela, a lágrima, fica a nos tremer nos olhos.
Tu que és moça e que ris, e não sabes da mágoa
Da vida, tem cuidado! Olha essa gota d'água;
Se não queres, da vida, achar-te entre os abrolhos
Ri, mas ri devagar, que a lágrima traiçoeira,
Talvez por te ver rir assim dessa maneira,
Trema e caia, afinal, um dia dos teus olhos!
Quem sou eu
- Carlos Arnaud de Carvalho
- São Domingos do Prata, Minas Gerais
- E nestas lutas vou cumprindo a sorte, até que venha a compassiva morte, levar-me à grande paz da sepultura.
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