Guterres Casses
Jaz, em cama, a gemer, a parturiente,
Nas contorções insólitas da dor,
Sentindo nessa agrura impenitente
A primeira eclosão de seu amor...
Mil desvelos a cercam docemente,
Num crescendo de anseio e de temor,
Porém, ela se estorce de repente
E morre num espasmo aterrador!
E o médico, tateando seus contornos,
Busca a criança aos membros mornos
Da genitora morta e contorcida!...
A Ciência sabe achar, serena, forte,
Dentro da noite tétrica da Morte,
A rútila alvorada de uma Vida!
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