Alice Moderno
Cisma um frade na cela úmida e fria,
ao pé de uma janela gradeada;
na sua fronte vasta e calcinada,
fundas rugas traçou a hipocondria.
A luz do seu olhar, tênue e sombria,
traduz uma saudade amargurada;
na amplidão brilha a lua prateada,
a lua, a companheira da agonia!
Abelard fita o éter. De repente,
o seu profundo olhar torna-se ardente,
parece que nos céus alguém divisa.
Geme a brisa do outono entre o arvoredo,
e ele ouve, balbuciando-lhe um segredo,
uma voz semelhante à de Heloisa!
Quem sou eu
- Carlos Arnaud de Carvalho
- São Domingos do Prata, Minas Gerais
- E nestas lutas vou cumprindo a sorte, até que venha a compassiva morte, levar-me à grande paz da sepultura.
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