Mauro Mota
Passos incertos sobre as lajes frias,
sigo em busca de ti, sigo à procura
do tumulto da vida de outros dias,
que foi contigo para a sepultura.
Sinto, na solidão da noite escura,
de onde estás, não me abandonas: guias,
e que vais a meu lado, de alma pura
como, nos tempos que morreram, ias.
Amo-te mais depois que fostes embora,
Nas lajes frias meus incertos passos,
deixas de ser a eterna ausente agora.
Chegas, transfigurada, dos espaços,
e eu vou contigo pela vida afora,
conduzindo a tua alma nos meus braços.